Estava na Biblioteca Municipal da Maia, e escutei uma conversa interessante acerca do Exame de Biologia e Geologia de 11º ano. Dois alunos tentavam responder a questões que referiam uma famosa teoria das "Pontes Continentais". O professor nunca tinha falado em semelhante coisa!! Onde estava no manual? Não estava - mas eu lembrei-me que tinha dado isso na faculdade naquelas notas de rodapé do Prof.Dr. António Ribeiro. Um livro que falava nesta teoria tinha sido escrito por um japonês, Seiya Uyeda, mas a teoria propriamente dita era de Suess.
"(...)Tendo estudado a distribuição de diversos fósseis de animais e de diferentes géneros de plantas, os paleontólogos haviam constatado a existência de afinidades entre a África e a América do Sul, a Europa e a América do Norte e Madagáscar e a Índia.
Visto que, por exemplo, organismos como os gastrópodes terrestres não podem nadar através de vastas áreas oceânicas, presumia-se que dois continentes que apre¬sentavam gastrópodes terrestres quase idênticos teriam em tempos estado unidos por terra através de uma ponte continental.
Enquanto Wegener interpretou esta distribuição como uma indicação de que outrora teria existido um único continente, que posteriormente se teria fragmentado em diversas partes, a interpretação paleontológica tradicional do mesmo fenómeno aceitava a imobilidade dos continentes e a existência de uma ponte continental. Os fenómenos observa¬dos eram iguais, mas eram interpretados segundo diferentes pontos de vista, o que resultou em duas teorias bastante diferentes.
Se os continentes tivessem, de facto, estado unidos por pontes continentais, a que unia a África à América do Sul não poderia ter sido representada por uma comprida e estreita protuberância da crosta terrestre através do Atlântico. Pare¬cia, neste caso, mais verosímil uma ponte à escala continental. Uma vez que esta hipotética ponte já não existia, havia que explicar o desaparecimento de tal massa de terra.
O argumento mais popular para explicar essa imersão consistia em atribuí-la a uma grandiosa depressão da crosta terrestre. Assim, a teoria da pontes continentais considerava que uma massa terrestre do tamanho de um continente podia «tornar-se» um mar.
Este ponto de vista era essencialmente o mesmo que afirmava que a distribuição das massas continentais e dos oceanos é determinada pela movimentação vertical da crosta terrestre. Na teoria da deriva continental o fenómeno central é a movimentação horizontal dos continentes. É esta a diferença fundamental entre as duas hipóteses. (...)"
Seiya Uyeda

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