Domingo, 6 de Julho de 2008

Esplanada I - O Gene Egoísta





Agora que as aulas terminaram, o serviço não lectivo, esse contínua, procuro ocupar algum do meu tempo livre com a família e divertindo-me com uma das actividades que mais gosto: Ler!
Ler e descobrir esta cidade linda que não sendo minha, no fundo não o deixa de ser, e o Porto cidade é uma cidade linda e acolhedora. E nestes meus tempos, uma explanada na Foz, onde existe um parque para crianças, onde estou com a família e posso por a leitura em dia. Aproveitar o sol que banha aqueles granitos e gnaisses antigos quanto a evolução dos seres vivos. Não podia haver melhor cenário.





O que leio?





A teoria do gene egoísta é a teoria de Darwin aplicada de um modo que não foi escolhido por Darwin, mas cuja aptidão, seria prontamente reconhecida por ele e o encan­taria de imediato. Trata-se, na realidade, de um desenvolvimento lógico do neodarwinismo ortodoxo, mas expresso sob a forma de uma nova imagem; em vez de focar o organismo individualizado, apresenta a perspectiva da natureza do ponto de vista do gene. É uma maneira diferente de ver, e não uma teoria nova.



Li pela primeira vez este livro de Dawkins em 1989! Passaram-se tantos anos, e voltei agora a reler as passagens anotadas desses meus anos de descoberta das razões pelas quais os pescoços das girafas não crescem!


"O chimpanzé e o homem compartilham cerca de 99,5 % da sua história evolutiva. Contudo, a maioria dos pensadores humanos considera o chimpanzé uma excentricidade malformada e irre­levante, enquanto se vê a si mesma como uma antecâmara do Todo-Poderoso.
Para um evolucionista, tal perspectiva é inaceitável. Não existe um fundamento objectivo para elevar uma espécie acima da outra. O chimpanzé e o homem, a lagartixa e o fungo, e todos nós, evoluímos durante cerca de 3 biliões de anos por um processo conhecido por selecção natural.
Dentro de cada espécie, alguns in­divíduos deixam atrás de si um maior número de descendentes que sobrevivem do que outros; dessa forma, as características hereditá­rias (os genes) dos primeiros, com maior êxito reprodutivo, tornam-se mais numerosas na geração seguinte. É isso a selecção natural: a reprodução diferencial, não aleatória, dos genes. Foi a selecção natural que nos formou e é a selecção natural que teremos de enten­der, se quisermos entender a nossa própria identidade."
Robert Trivers. Havard University

(...) Este livro deverá ser lido quase como um livro de ficção cien­tífica. Está feito de forma a despertar a imaginação. Mas não é ficção científica: é ciência.
Seja ou não um lugar-comum, «mais estranho do que a ficção», exprime exactamente como me sinto em relação à verdade. Nós somos máquinas de sobrevivência — robots cegamente programados para preservar as moléculas egoístas co­nhecidas por «genes». Esta é uma verdade que ainda me enche de admiração. Embora o saiba há muitos anos, não consigo habituar-me completamente à ideia. E é minha esperança ter algum sucesso em surpreender também os outros.(...)
Richard Dawkins

1 comentários:

Lourenço disse...

É uma leitura muito boa Nuno!
Se tiveres disponibilidade ou interesse lê o livro de Alistair McGrath - O Deus de Dawkins - no qual ele refuta ponto por ponto os pressupostos de Dawkins; É sempre importante "ver o outro lado".
Abraço