
O Dr. Robert Darwin não estava satisfeito. O seu filho mais novo, Charles, tinha abandonado a Universidade de Edimburgo e o estudo da medicina, trocando-a pela Universidade de Cambridge e a possibilidade de se tornar pastor anglicano.
Ora, em Agosto de 1831, o rapaz propunha um adiamento de alguns anos antes de receber as ordens religiosas, a fim de poder embarcar no navio HMS Beagle da Armada Inglesa, numa viagem à América do Sul, como uma espécie de acompanhante não assalariado do capitão.
Com relutância, Robert concordou em que a viagem fosse avante, mas apenas se Charles conseguisse obter a aprovação independente de alguém respeitado pela família Darwin. Charles Darwin obteve efectivamente essa aprovação - a do seu tio Josh, filho de Josiah Wedgwood, ceramista e amigo de Erasmus Darwin. E foi assim que o jovem Darwin passou os anos entre 1831 e 1836 numa viagem que acabou por ser uma circum-navegação, experiência que o
levou a tornar-se evolucionista.
Para ser justo com Robert Darwin, existiam boas razões para a sua consternação. Já o seu filho mais velho, Erasmus, tinha vindo a estabelecer ao longo da vida um padrão de inactividade, preferindo a vida literária e social de Londres às exigências de um emprego estável.
Agora o filho mais novo, Charles, parecia seguir o mesmo caminho, interessando-se por história natural e por coleccionar insectos.
Mas o tio Josh, que era de opinião que a viagem no Beagle lhe moldaria o carácter, estava certo. Mesmo em Cambridge, Charles tinha começado a conviver com os principais cientistas da época, e o tempo que passou longe da Inglaterra fortaleceu a sua resolução de legar o seu próprio importante contributo à nossa compreensão da natureza.
Esta determinação persistiu ao longo de toda a sua vida, dando lugar, em 1859, ao clássico On the Origin of Species by Means of Natural Selection

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