Charles Darwin iniciou a sua carreira científica como geólogo, impulsionado pelo artigo então recentemente publicado Principies of Geology, no qual Charles Lyell argumentava que todos os
processos de formação montanhosa, de formação dos continentes e afins, são o resultado final de causas que se processam lentamente, mas cujo efeito é duradouro.
Isto levou Darwin a interessar-se pela biogeografia, o estudo da distribuição geográfica das plantas e dos animais - um elemento-chave para a compreensão de formações geológicas do passado.
Assim direccionado, estava naturalmente intrigado com as estranhas distribuições dos organismos no Arquipélago das Galápagos que o seu navio visitou em 1835. Por que seriam as aves e os répteis semelhantes, mas diferentes, de ilha para ilha, especialmente quando membros de uma espécie podiam estender-se por toda a América do Sul?
Logo após o regresso do jovem Darwin a Inglaterra, o taxonomista de aves John Gould convenceu-o de que estas diferenças resultavam, de facto, em espécies diferentes, embora semelhantes. E desta forma, não vislumbrando outra opção razoável, Darwin deslizou para o evolucionismo. Concluiu que os animais tinham, originalmente, chegado às Ilhas Galápagos vindos do continente e, uma vez ali, tinham-se diversificado de ilha para ilha, devido ao isolamento geográfico de umas ilhas em relação às outras.
Para Darwin, esta espécie de «transmutação» transformou-se na chave de toda a variedade da vida orgânica, passada e presente.
Alguns factores estavam aqui do lado de Darwin, empurrando-o para o evolucionismo.
Certamente que as influências familiares tiveram o seu peso. O avô Erasmus tinha morrido antes de o neto nascer, mas a tradição era conhecida, e Charles tinha lido os seus principais trabalhos, especialmente Zoonomia. Mais que isso, embora a sua intenção de pré-licenciado numa carreira como clérigo estivesse assente numa leitura literal da Bíblia, no final da viagem do Beagle a fé de Darwin tinha amadurecido para uma certa forma de deísmo, a crença tradicional da sua família.
Apesar de ainda firmemente comprometido com a existência de Deus, Darwin procurava o Seu poder em leis naturais em vez de numa intervenção miraculosa. Assim como fora verdadeiro para o seu avô, a evolução constituía unia confirmação da posição religiosa de Charles Darwin em vez de uma crença anómala que necessitava de explicação.

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