quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O Espectáculo da Vida


Versão Portuguesa.

É a altura ideal para explicitar as provas da Teoria da Evolução.

A evolução é um facto que não suscita dúvidas razoáveis, sérias, inteligentes, informadas e saudáveis. Não há dúvida de que a evolução é um facto.
As provas da evolução são pelo menos tão fortes como as do Holocausto, mesmo considerando a existência de testemunhas oculares deste último. É uma verdade inquestionável que somos primos dos chimpanzés, primos mais distantes dos macacos, primos ainda mais afastados dos papa-formigas e manatins, primos ainda mais distantes das bananas e dos nabos... a lista poderia continuar para sempre. Ora isto não tem de ser verdade. Não se trata de uma verdade evidente, tautológica, óbvia e houve tempos em que a maior parte das pessoas, mesmo as instruídas, pensava que não era. Não tem de ser verdade, mas é. Sabemos isso porque uma vaga crescente de provas o confirma. A evolução é um facto e este livro demonstrá-lo-á. Nenhum cientista respeitável o discute e nenhum leitor imparcial concluirá este livro com dúvidas a esse respeito.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

A Origem das Espécies


150º aniversário da publicação do livro “A Origem das Espécies”.


Sobre a Origem das Espécies através da Selecção Natural, ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida, de Charles Darwin, foi publicado em Londres, em Novembro de 1859, pela firma de John Murray. Os anúncios do editor indicam que a data mais provável da publicação foi quinta-feira, dia 24 de Novembro.

A Origem das Espécies, de Charles Darwin, é sem dúvida um dos mais importantes livros científicos alguma vez escritos. Todavia, não se encaixa no estereótipo daquilo que hoje em dia esperamos que a ciência seja, pois é escrito num estilo maravilhosamente pessoal. Não contém gráficos, equações matemáticas nem linguagem especializada e não faz referência a figuras de bata branca em laboratórios. Os anos que antecederam a sua publicação foram recheados de contratempos inesperados, de encontros casuais, de grande emoção e de controvérsia.

O livro esgotou-se no dia da publicação e a polémica que suscitou alastrou como um rastilho no domínio público, dando origem ao primeiro debate científico verdadeiramente internacional da história. Os leitores atacavam-no ou louvavam-no, e esforçavam-se por alinhar convicções religiosas profundamente enraizadas com as ideias novas e perturbadoras de Darwin.

O livro foi desde o primeiro momento reconhecido como um contributo extraordinário para o panorama intelectual, abrangente, muito penetrante e cheio de dados que sustentavam as suas sugestões — mas ao mesmo tempo foi apaixonadamente criticado por sugerir que todos os seres vivos tinham origem em processos inteiramente naturais.

Macacos ou anjos, Darwin ou a Bíblia, foram temas escaldantes para os ingleses do tempo da rainha Vitória.

Muitas destas questões ainda são actuais nos nossos dias. Com efeito, a escrita e a forma controversa como foi recebida A Origem das Espécies, de Darwin, nunca foram isoladas num certo mundo frio e esotérico da ciência.

A sua história é, em muitos aspectos, a história do mundo moderno.
É óbvio que, de uma perspectiva actual, o papel de Darwin como um dos criadores dos tempos modernos nunca foi mais evidente.

Os seus escritos desafiaram todas as concepções anteriores sobre os seres vivos e tornaram-se um factor crucial nas transformações intelectuais, sociais e religiosas que ocorreram no Ocidente durante o século XIX.

Com o tempo, Darwin veio a tornar-se um dos cientistas mais famosos da sua época, uma celebridade vitoriana, e a sua obra, mesmo no seu tempo de vida, foi considerada uma pedra basilar do mundo moderno.

Fonte : Janet Browne.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Das bagas às drupas


Não resisti em publicar um post com base num e-mail que recebi de quem adora a botânica quanto eu gosto de fontes hidrotermais, isto é muito. Alterei um pouco o mail mas mantive o esqueleto, porque este mail tem tudo para um post.


Tomates e Laranjas, foi o primeiro título que me lembrei, mas podiam algumas mentes associar os tomates e laranjas a algo com cariz político e assim ficou um título bem mais erudito, "Das bagas às drupas", que faz lembrar um lied de Schubert "Das bagen ünd druppen" (apenas o "das" e "ünd" está correcto o resto não me parece. Penso que a autora do mail não se importe de partilhar este momento de ensino com todos vós, amigos (as). Eu aprendi muito num mail.


"O tomate é uma boa baga, até porque mentes brilhantes farão logo associações interessantes à dita cuja fruta. A maçã também é uma baga ainda mais interessante porque, tal como a pêra e o marmelo são pseudofrutos. Porquê?

Porque durante o processo de frutificação é o receptáculo que acumula substâncias de reserva e verdadeiramente o que comemos é um receptáculo e não as paredes do ovário. A parede do ovário está resumida ao que as pessoas chamam erradamente o caroço da maçã.

Tal como o morango, também comemos o receptáculo (vermelhinho e gostoso). Este é também um pseudofruto, mas um fruto múltiplo porque deriva de vários carpelos. Cada estrutura castanha (ou verde) é um fruto seco, com uma única semente muito pequena chamado aquénio.


Interessante, não é?


E na laranja o que contém o sumo e comemos são pêlos do endocarpo. Desfaz um gomo e logo verás os pêlos suculentos. Também é uma baga: fruto simples, carnudo com várias sementes.Na romã, a parte vermelhinha suculenta é o tegumento externo da semente. Mais uma baga.


O figo e o ananás são infrutescências – derivadas de inflorescências. O figo externamente é um receptáculo que envolveu várias flores e portanto contém vários frutos (também secos com uma semente cada - aquénios). No ananás juntaram-se muitas flores e o no centro inclui o pedúnculo. Externamente ainda se vê o resto de estames das inúmeras flores. Aqui até as brácteas das flores comemos.


No S. Martinho imperam os aquénios. A castanha é um aquénio. Comemos a semente. A parede do ovário é seca (castanha).Mas a noz que partimos é o caroço da semente. Também só comemos a semente. A parede do ovário é verde (lembra-te do fruto na árvore), fibrosa e apesar de pouco suculenta é considerada um fruto carnudo. Como só tem uma semente chama-se uma drupa. São drupas o pêssego, a ameixa, o coco, a cereja, etc. (frutos de caroço).


Quero mais mails destes. Não concordam?

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Partenogénese nas abelhas


Nas abelhas, os machos não têm pai, as rainhas são promíscuas.

Foi em 1845 que o padre polaco Johann Dzierzon descobriu que os machos de abelha não têm pai.

Os ovos não-fertilizados, que contêm apenas um conjunto de cromossomas (haplóides), desenvolvem-se em machos.


Ovos fertilizados, com dois conjun­tos cromossómicos (diplóides), originam fémeas. Formigas e ves­pas têm o mesmo sistema de determinação de sexo, mas como esse sistema funciona tem sido um mistério.


Ocasionalmente ocorrem erros e um ovo fertilizado desen­volve-se em um macho diplóide, cujos descendentes são estéreis. Agora, graças a 13 anos de análise desses animais, um grupo de investigadores liderados por Robert Page da Universidade da Califórnia em Davis [nos EUA] encontraram o gene envolvido.

Denominado csd (do inglês, complementary sex determiner, determinante complementar do sexo), esse gene actua de modo completamente diferente de tudo que os geneticistas descobri­ram até agora, diz Page.

Parecem existir cerca de 19 versões diferen­tes do gene. Apesar das dúvidas, o grupo de investigadores demonstrou que, se são herdadas duas versões diferentes do gene csd, as proteínas codi­ficadas por elas combinam-se para desencadear o desenvolvimento de uma fémea.

Um ovo não-fertilizado, com apenas uma cópia do csd, desen­volve-se em um macho.

O sistema falha quando um ovo fertilizado herda duas cópias da mesma versão do gene, resultando em um macho diplóide. Esses animais são, em geral, destruídos pelas suas irmãs ainda no estágio de larva.
Uma ópera trágica, bem ao estilo de Verdi, esta saga de uma colmeia!

"Essa descoberta é um marco", diz Gene Robinson, um entomologista da Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign. "Ela abre caminho para se entender a biologia das abelhas em um nível mais aprofundado."

Por exemplo, o facto de as fémeas copularem com muitos ma­chos garante que elas encontrarão parceiros com versões do gene csd diferentes das suas, o que evitaria a produção de machos diplóides inúteis. E as tentativas dos apicultores de criar linhagens puras têm falhado provavelmente porque não há diversidade suficiente do gene csd nas linhagens que eles criam.
No futuro, talvez seja possí­vel para os apicultores analisar os seus enxames de abelhas para garan­tir a existência de diversidade suficiente do gene csd para manter férteis as colmeias.

A partir do artigo : http://www.bioedonline.org/news/news.cfm?art=428

domingo, 1 de Novembro de 2009

O último abraço

Os animais - humanos e moscas-da-fruta incluídos -têm dois conjuntos completos de cromossomas. Por esta razão, são tecnicamente conhecidos como diplóides (dois conjuntos em Grego).

Alguns peixes e anfíbios e muitas plantas têm até seis conjuntos de cromossomas, mas nós só temos dois.

Um conjunto vem das nossas mães através do óvulo; o outro vem do es­perma do nosso pai. Assim que os dois conjuntos de cromossomas se encontram no mesmo óvulo fertilizado, dividem-se quando ele se divide e continuam a fazê-lo ao longo da vida, copiando-se e dividindo-se mecanicamente e cum­prindo a sua função de uma forma geral.

Na maioria das células do nosso corpo, as chamadas células somáticas, os cromossomas que vêm da mãe e os cromossomas que vêm do pai, pouco têm a ver uns com os outros. Os seus genes prosseguem o trabalho de passar instruções à célula e esta ouve e obedece. Normalmente, ouve os genes de ambos os progenitores porque geralmente dizem a mesma coisa. Às vezes, no caso de características geneticamente domi­nantes como olhos castanhos, é preferida uma versão das instruções em relação à outra. Em todas as nossas células, as conversas entre os genes dos nossos pais continuam através dos cromossomas que herdámos deles, mesmo quando eles próprios já morreram.

No entanto, numa idade muito precoce em todos nós, muito antes de nas­cermos, algumas células são postas de lado para um objectivo diferente.


São as chamadas células germinativas, para distingui-las das células somáticas que constituem o resto dos nossos corpos. Estas células especiais estão a ser prepa­radas para a tarefa de transmitir os genes à geração seguinte. Urna vez seleccio­nadas, levam uma vida muito diferente das suas companheiras somáticas.

En­quanto as células somáticas irão acabar por morrer, as células germinativas podem saborear a imortalidade. Embora os pormenores do desenvolvimento sejam radicalmente diferentes entre homens e mulheres, a interacção genética crucial dos cromossomas continua a ser a mesma para ambos os sexos.

Após muitas sessões de divisão celular — muito mais nos homens do que nas mulheres - as células germinativas atingem o ponto em que têm de reduzir os seus cromossomas de dois conjuntos para um, por forma a embalá-los em óvulos ou em espermatozóides.

Isto acontece na última divisão celular. No entanto, mesmo antes dessa última divisão, acontece algo de extraordinário. Os dois conjuntos de cromossomas, que até então levaram vidas completamente independentes, juntam-se para um último abraço.

Muito gentilmente, os cromossomas encontram o número oposto e, come­çando pelas pontas, deitam-se delicadamente ao lado uns dos outros até se entrelaçarem. Depois, acontece o milagre. Aparecem rupturas invisíveis no interior dos braços que se tocam.
Muito suavemente, a extremidade cortada de um cromossoma procura e junta-se à ruptura que se abriu no seu parceiro. Enzimas regeneradoras fecham as feridas e os cromossomas começam a libertar-se livres do seu abraço. Quando se separam pela última vez, deixam-se ficar um último momento nos locais em que essas trocas íntimas tiveram lugar até que, por fim, são separados para sempre pela força da vida.

Qual pode ser o objectivo desta estranha ligação?

Mesmo que dure apenas alguns momentos, o seu impacte em todos nós é maior do que se possa imaginar. É a própria essência do sexo. Os cromossomas que emergem do abraço final mudaram a sua identidade e os seus genes. Estes encontros silenciosos alteraram o cromossomas de forma irrevogável. Antes de se tocarem e terem trocado o seu ADN, eram todos idênticos, cópias exactas dos cromossomas herdados de ambos os progenitores.
Depois de terminado o abraço, são agora mosaicos desses cromossomas, parte de um progenitor e parte do outro. Como estas trocas ocorrem aleatoriamente em determinado ponto ao longo dos cromossomas, cada mosaico é ligeiramente diferente de todos os outros.

Os novos cromossomas têm todos um conjunto completo de genes, mas as versões foram misturadas em cada um deles, criando uma variedade quase ilimitada de combinações pron­tas a serem transmitidas à geração seguinte. É esta a razão de sermos todos dife­rentes. Aparte os gémeos idênticos, não há duas pessoas que tenham exacta­mente a mesma composição genética.

Graças ao último abraço dos nossos cromossomas, irmãos, irmãs e gémeos não idênticos nunca herdam a mesma combinação de genes.

Texto adaptado de "A maldição de Adão", de Bryan Sykes. Fórum da Ciência






quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Evidências de Evolução

Um livro que acaba de sair - "The Greatest Show on Earth" de Richard Dawkins.
Sentei-me hoje na FNAC Norteshoping a passar os olhos nas páginas escritas em inglês e não dei conta do tempo voar (esqueci-me de comprar os carapaus). É um bom sinal quando um livro nos prende desta forma (ainda bem que o miudo gosta de lasanha).

Let´s look at the trailer....




“To call this book a defense of evolution utterly misses the point: The Greatest Show on Earth is a celebration of one of the best ideas humans have ever produced. It is hard not to marvel at Richard Dawkins’s luminous telling of the story of evolution and the way that it has shaped our world. In reading Dawkins, one is left awed at the beauty of the theory and humbled by the power of science to understand some of the greatest mysteries of life.”
—Neil Shubin, author of Your Inner Fish

Ribossomas e Darwin

Rosalind Franklin a "dama negra" do DNA iniciou os trabalhos de cristalografia com raios-X no King´s College de Londres. Acreditava que era este o método que iria permitir desvendar o segredo do DNA. Não se atribuem prémios Nobel a título póstumo mas foi no King´s College que a equipa liderada por Maurice se lançou na cartografia por raios-X.
Watson e Crick achavam que era através de modelos que a estrutura seria revelada! E foi, mas, existe sempre um mas, só foi possível desvendar a estrutura graças ao trabalho de Franklin. Este prémio Nobel vem mostrar a importância dos trabalhos de cristalografia por raios-X.
É um trabalho meticuloso, sem a piada de brincar aos "legos" dos modelos, mas quem disse que o trabalho em ciência tem de ter piada?


O ribossoma traduz a informação contida no núcleo da célula, escrita no código do ADN, é traduzida para produzir proteínas, que são os tijolos que que são construídos todos os seres vivos.

Os três cientistas este ano premiados com o Nobel da Química recebem o premio por terem estudado a sua estrutura, através de um método denominado cristalografia de raios-X, e por terem cartografado cada um dos centenas de milhares de átomos que constituem esta estrutura existente no interior das células.

Venkatraman Ramakrishnan (EUA, embora nascido na Índia há 57 anos), Thomas A. Steitz (EUA, 69 anos) e Ada E. Yonath (Israel, 70 anos) são os galardoados deste ano.

“A trilogia de prémios iniciou-se com o mais famoso de todos, o de 1962, quando James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins receberam o reconhecimento pela elaboração do modelo atómico da molécula de ADN em forma de dupla hélice”, diz um comunicado da Real Academia de Ciências Sueca.

De fora ficou Rosalind Franklin, a cientista que de facto obteve as imagens em cristalografia de raios-X vistas de forma algo subreptícia por Watson e que lhe deram a ideia inspiradora de como seria a verdadeira estrutura do ADN – mas em 1962 Franklin já tinha morrido, de cancro.


Prosseguindo com a sequência da Academia sueca, o segundo prémio da Trilogia Darwin foi atribuído em 2006, a Robert Kornberg, por ter obtido imagens de estruturas em raios-X que demostram como a informação do ADN, contida no núcleo da célula, é copiada pela molécula do ARN mensageiro (ARNm).


Os ribossomas, que estão no centro do palco do Nobel da Química da 2009 e no final desta Trilogia Darwin, são uma das mais complicadas máquinas celulares – e há várias, no interior de cada minúscula célula do nosso corpo, embora funcionem ao nível atómico. Traduzem a informação do ADN para um código que outras máquinas das células conseguem entender, para juntar aminoácidos e produzir proteínas.

A correcção dessa tradução é muito importante, pois o organismo é literalmente feito de proteínas (hemoglobina no sangue, por exemplo, que transporta oxigénio, ou insulina, que controla os níveis de açúcar no sangue) e alguns erros podem ser fatais.

Por isso, os ribossomas existem em todos os seres vivos, das bactérias aos seres humanos – e exactamente por esse motivo, são alvos preferenciais para medicamentos. Se se impedir uma bactéria de produzir correctamente as proteínas de que precisa para produzir as sua camada exterior, por exemplo, é possível torná-la vulnerável e combater uma infecção com antibióticos. Os três laureados com o Nobel produziram modelos tridimensionais que mostram como diferentes antibióticos se ligam aos ribossomas, usados para desenvolver novos medicamentos.

Fonte : Público - online (7 de Outubro 2009)