Rosalind Franklin a "dama negra" do DNA iniciou os trabalhos de cristalografia com raios-X no King´s College de Londres. Acreditava que era este o método que iria permitir desvendar o segredo do DNA. Não se atribuem prémios Nobel a título póstumo mas foi no King´s College que a equipa liderada por Maurice se lançou na cartografia por raios-X. Watson e Crick achavam que era através de modelos que a estrutura seria revelada! E foi, mas, existe sempre um mas, só foi possível desvendar a estrutura graças ao trabalho de Franklin. Este prémio Nobel vem mostrar a importância dos trabalhos de cristalografia por raios-X. É um trabalho meticuloso, sem a piada de brincar aos "legos" dos modelos, mas quem disse que o trabalho em ciência tem de ter piada?O
ribossoma traduz a informação contida no núcleo da célula, escrita no código do ADN, é traduzida para produzir proteínas, que são os tijolos que que são construídos todos os seres vivos.
Os três cientistas este ano premiados com o Nobel da Química recebem o
premio por terem estudado a sua estrutura, através de um método denominado
cristalografia de raios-X, e por terem cartografado cada um dos centenas de milhares de átomos que constituem esta estrutura existente no interior das células.
Venkatraman Ramakrishnan (EUA, embora nascido na Índia há 57 anos), Thomas A.
Steitz (EUA, 69 anos) e Ada E.
Yonath (Israel, 70 anos) são os galardoados deste ano.
“A trilogia de prémios iniciou-se com o mais famoso de todos, o de 1962, quando James Watson, Francis
Crick e
Maurice Wilkins receberam o reconhecimento pela elaboração do modelo atómico da molécula de ADN em forma de dupla hélice”, diz um comunicado da Real Academia de Ciências Sueca.
De fora ficou
Rosalind Franklin, a cientista que de facto obteve as imagens em
cristalografia de raios-X vistas de forma algo
subreptícia por Watson e que lhe deram a ideia inspiradora de como seria a verdadeira estrutura do ADN – mas em 1962 Franklin já tinha morrido, de cancro.
Prosseguindo com a sequência da Academia sueca, o segundo prémio da Trilogia Darwin foi atribuído em 2006, a Robert
Kornberg, por ter obtido imagens de estruturas em raios-X que
demostram como a informação do ADN, contida no núcleo da célula, é copiada pela molécula do
ARN mensageiro (
ARNm).
Os
ribossomas, que estão no centro do palco do Nobel da Química da 2009 e no final desta Trilogia Darwin, são uma das mais complicadas máquinas celulares – e há várias, no interior de cada minúscula célula do nosso corpo, embora funcionem ao nível atómico. Traduzem a informação do ADN para um código que outras máquinas das células conseguem entender, para juntar aminoácidos e produzir proteínas.
A correcção dessa tradução é muito importante, pois o organismo é literalmente feito de proteínas (hemoglobina no sangue, por exemplo, que transporta oxigénio, ou insulina, que controla os níveis de açúcar no sangue) e alguns erros podem ser fatais.
Por isso, os
ribossomas existem em todos os seres vivos, das bactérias aos seres humanos – e exactamente por esse motivo, são alvos
preferenciais para medicamentos. Se se impedir uma bactéria de produzir correctamente as proteínas de que precisa para produzir as sua camada exterior, por exemplo, é possível torná-la vulnerável e combater uma infecção com antibióticos. Os três laureados com o Nobel produziram modelos
tridimensionais que mostram como diferentes antibióticos se ligam aos
ribossomas, usados para desenvolver novos medicamentos.
Fonte : Público - online (7 de Outubro 2009)