Sábado, 4 de Julho de 2009
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Fósseis de Transição
Figura 1 - Ichthyostega
Existe uma perspectiva ingénua da “escala da vida” que descreve a evolução dos vertebrados como uma série linear ascendente anfíbio – réptil – mamífero – ser humano. Os tetrápodes possuíram de certo um antepassado comum, mas os anfíbios modernos representam o término de um grande ramo, e não o começo de uma série.
Ao longo do processo evolutivo terão surgido seres vivos que apresentariam alterações nestas barbatanas lobadas, quer noutras estruturas do esqueleto destes peixes devónicos.
Figura 2
Na figura 2, podemos observar este conjunto de alterações, onde as barbatanas lobadas peitorais (nageoire pectorales) e pélvicas (nageoire pelviennes) terão estado na origem de membros dotados de patas e dedos, alterações do osso do maxilar (mâchoire), desaparecimento da barbatana caudal, alongamento do focinho (museau), com soldagem de alguns ossos, desaparecimento do óperculo ósseo que recobria as brânquias, assim bem como dos ossos que ligavam a cabeça à cintura escapular (ceinture scapulaire), isto é, dos ombros (épaules).
"Quando nós olhamos dentro da barbatana observamos um ombro, um cotovelo e uma versão inicial de um pulso, o que é muito similar a animais que também habitam a terra", afirmou Shubin.
"Essencialmente nós temos um animal feito para poder se sustentar no chão."
Nota :
O
termo "fósseis, ou formas, de transição" tem vindo a cair em desuso, pois refere-se a espécies extintas que representam um estádio intermédio entre dois grupos de organismos, e incorporam simultaneamente características ancestrais (ou plesiomórficas) e derivadas (ou apomórficas) dos mesmos.
Curiosamente, os paleontólogos empregam pouco o termo "fóssil de transição", frequentemente mais usado aquando das discussões criacionistas. Talvez porque, ao lidarem com fósseis, os paleontólogos compreendem que, salvo casos de evolução rápida, estes são o resultado de uma mudança gradual e todos eles são, no limite, fósseis de transição (excepto se não tiverem descendentes), mesmo que essa transição morfológica seja apenas ligeira.
Um exemplo típico de "forma de transição" seria o Acanthostega, não sendo verdadeiramente um peixe nem um anfíbio. O Acanthostega tem características anatómicas de ambos os grupos, logo não cabe nesta classificação (que não deixa de ser arbitrária, logo, irremediavelmente, revelando parte da natureza dos seres vivos). Onde colocá-lo então? Tal como o Acanthostega tantos outros se iam juntando ao saco das "formas de transição". O que se ia verificando é que cada vez mais formas eram "formas de transição". Onde colocar os sinapsídeos, são répteis ou mamíferos? Onde colocar o Archaeopteryx, é um réptil ou uma ave? Onde colocar o Cyclosaurus, um réptil ou um anfíbio? As "formas de transição" são não a excepção mas a regra.
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Quem tem medo do primo macaco?

A História da Vida é um dos temas mais cativantes quando se fala de ciência. Quase todas as semanas nas revistas científicas são publicados artigos relacionados com evolução. Uma lista de contributos de investigadores seria uma tarefa árdua, mas nessa árvore da investigação na base teríamos uma das mentes mais brilhantes da humanidade: Charles Darwin. Em Fevereiro comemorou-se o bicentenário do nascimento do naturalista inglês que a 27 de Dezembro de 1830 embarcou no navio Beagle. No próximo mês de Novembro comemoram-se os 150 anos da primeira publicação de “A Origem das Espécies”. Este é sem dúvida o mais famoso dos livros de Darwin, e foi a partir dele que toda a Biologia mudou de rumo. Nada ficou como dantes. São muitos os exemplos das controvérsias geradas desde que foi publicada esta obra.
Mas o que é a Teoria da Evolução que todos falam? Em controvérsias recentes sobre evolução encontramos frequentemente referências à "teoria da evolução de Darwin", como se fosse uma unidade. Na realidade, a "teoria" da evolução de Darwin é um conjunto de teorias: evolução enquanto tal, ancestralidade comum, gradualismo, multiplicação das espécies, selecção natural e, sendo impossível discutir construtivamente o pensamento evolucionista de Darwin se não se distinguirem os vários elementos que o compõem. Para um autor moderno, a evolução enquanto tal já não é uma teoria. É um facto, tanto como a Terra girar em torno do Sol e não o contrário. As modificações documentadas pelo registo fóssil em estratos geológicos rigorosamente datados são um facto que designamos como evolução. É a base factual na qual assentam as outras quatro teorias. Por exemplo, todos os fenómenos explicados pela teoria da ancestralidade comum não fariam qualquer sentido se a evolução não fosse um facto. (Ernest Mayer) Querer colocar uma teoria ficcionista lado a lado, com uma teoria baseada em factos é grave porque além de ridícula e torna a ciência num perfeito disparate.
Sábado, 6 de Junho de 2009
Sábado, 23 de Maio de 2009
Um elo perdido
Evolução dos Primatas, é um dos conteúdos que desapareceu dos programas de Biologia, sendo apenas possível encontrar um "toque suave", no programa de Geologia 12º.
Coincidências?
São conteúdos pouco importantes? A nossa história evolutiva não tem interesse biológico?
A título de exemplo, seria talvez a nível de 12º ano na disciplina de Biologia, a altura ideal para incluir este tema quando se lecciona a Genética. Sim, porque a genética é mais do que as "ervilhas" de Mendel, ou as moscas de Morgan. A genética evolutiva é uma das áreas de investigação da biologia moderna.
Mas a verdade é que a Evolução de Darwin incomoda muito, quando pensamos na evolução dos primatas, esta, incomoda muito mais!
Se pedir a um professor do 11º grupo B (Biologia/Geologia), a minha pessoa incluída, para explicar de uma forma simples a evolução dos primatas, quantos conseguiriam explicar correctamente e de acordo com os dados mais recentes? Vamos continuar a colocar o Neathertal na linha directa da evolução do Homem?
A notícia desta semana - "missing-link" criou-me dificuldades quando questionado pelos alunos, porque eles nem sabiam que os lémures eram nossos parentes próximos. Há uma semana atrás ao visitar a excelente exposição da Evolução de Darwin, na Fundação Calouste Gulbenkien num painel com a História Evolutiva do Homem, constatei que muito mudou desde os dias em que estudei na escola e depois na faculdade, a evolução dos primatas.
Ida - Um antepassado esquecido - The missing link !
Ida, corresponde a um importante achado, de uma espécie, Darwinius masillae, onde 95% do esqueleto está bem preservado, sendo mesmo possível ver os contornos dos pêlos e a última refeição vegetariana da primata. O que torna também tão especial este fóssil é que parece ser uma antepassada do grupo de primatas superiores a que o Homem pertence, na altura em que se separou da linhagem que deu origem a espécies como os lémures, primatas inferiores e mais afastados do Homem.
Os investigadores resolveram chamar à nova espécie Darwinius masillae em honra aos 200 anos do nascimento do evolucionista Charles Darwin. Os cientistas que estudam este achado fóssil, tem sido unânimes ao considerarem Ida um equivalente da “Pedra de Rosetta” no estudo das fases iniciais da evolução dos primatas.
Sir David Attenborough durante as gravações de um documentário sobre o achado, refere que esta pequena criatura irá ser mais uma prova da nossa ligação aos outros mamíferos.

